Vale a pena ser feliz

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Você gosta de ópera? Vale a pena ! 1ª parte

Você gosta de ópera? Vale a pena!

Nós brasileiros adoramos música em seus diversos gêneros e é um dos nossos grandes orgulhos colocarmos em alta consideração os músicos e os cantores populares, não acontecendo a mesma coisa com o grande número de instrumentistas e com os músicos do campo erudito.

Em grande parte é culpa da própria música erudita que não proporciona sua divulgação nos meios populares e nem na mídia, ficando este tipo de música em círculos restritos e, às vezes, por que não dizer, com ares de superioridade como se pertencesse a uma classe privilegiada.

A música é para todos, sem distinção. O que se precisa fazer é tornar popular a música chamada de “erudita”, porque o nosso povo responde bem quando isso é proporcionado a ele. Basta fazer por onde... Eu me lembro de uma propaganda que usou um trecho de ópera e ela cuidou de ser muito difundida, tomando conta do nosso dia a dia, porque era uma ótima propaganda. Pois bem: o povo cantava a propaganda, que era veiculada pela televisão, com bastante entusiasmo. Gosto pela música clássica existe, o que não existe é a sua difusão.

A ópera, então, é a mais relegada nos meios populares e é, dos gêneros musicais, o mais complexo para entender e gostar. A ópera só ela daria um tratado inteiro.

A ópera possui uma longa história de sucessos pelo mundo inteiro, mas , em nossos dias e principalmente em nosso país, se encontra reduzida em audição de árias soltas ou em apresentações em forma de shows , quando se tem uma festividade mundial. Foi dessa maneira que uma grande maioria tomou conhecimento de Carreras, Pavarotti e Plácido Domingos, na abertura da Copa Mundial de Futebol.

Além disso, as óperas sempre foram apresentadas sem tradução de seus cantos, o que se tornava mais difícil para acompanhá-las, pois perdia-se o enredo e , consequentemente, toda a ação dramática.

Somente na década de 90, aqui no nosso país, sob a direção de Fernando Bicudo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que foram introduzidas as legendas luminosas na parte superior do palco, enquanto a ópera estava sendo apresentada ao público. Com isso, tentava-se popularizar este gênero que , em qualquer outro lugar da Europa, tem a maior aceitação e prestígio.

Na Itália quando Pavarotti faleceu no ano passado o povo inteiro chorou, literalmente falando, dado o amor que os italianos tinham pelo seu desempenho nas óperas. Aliás, ele era mesmo fenomenal!

Um outro traço que colaborava para distanciar a ópera das massas populares era a forma de sua apresentação, sempre num teatro onde as pessoas usavam jóias e roupas caras, reminiscências da corte e da sociedade de elite de Paris, que nossa cultura esteve sujeita no início do século XX principalmente.

Um outro aspecto que dificulta a difuso da música operística é o custo das obras gravadas para serem ouvidas, porque quase todas são importadas, quando o nosso mercado de CDs e DVDs não tem interesse em editar este gênero. Foi lançada uma série que se encontra nas bancas de jornais – “Tesouros da Ópera” – que é muito boa e não sai tão cara. Mas e a difusão? Poucas chamadas na televisão e somente na época do lançamento.

Neste ano de 2009, o circuito de cinema Odeon- Petrobrás – Estação lançou uma série de exibições de óperas que foram filmadas durante as suas apresentações no Metropolitan Opera House of New York. As exibições chegaram ao Brasil e foram um grande sucesso de público, no curto tempo que permaneceram nos cinemas.

O lançamento em DVD dessas récitas eu espero que chegue ao Brasil, como já estão disponíveis nos USA alguns títulos, como:Macbeth, Manon Lescaut, Hansel and Gretel e La Bohème. Na verdade, eu não consegui assistir nenhuma sessão, porque a procura foi tão grande que os ingressos se esgotavam rapidamente. Se tiver o DVD já fico satisfeita.

O Metropolitan inova, ao mostrar entre os atos, os bastidores do teatro, a montagem dos cenários e o trabalho da equipe de apoio.

Mais uma prova de que a música dita clássica desperta interesse nas pessoas e é esta procura para asssitir os filmes , mostra que existe um reconhecimernto de que é um espetáculo agradável.

Em épocas passadas, século XIX, apesar da ópera ter surgido na elite aristocrática, este gênero ajudou a popularizar a cultura européia, pois, desempenhava um papel semelhante ao do cinema e da televisão, nos dias de hoje.

Nesta época, o teatro musical era o espetáculo popular por excelência, onde a cidade podia se encontrar, pois todos freqüentavam , desde o governo, a aristocracia, a burguesia, a classe média e até os pobres estes evidentemente ficando ou em pé ou nos lugares menos privilegiados, como as galerias.

A fama que a ópera tem de requintada e elitista se deve às origens do gênero, que era mais promovida como um entretenimento nobre das cortes europeias.

Durante muito tempo, a ópera foi suntuosa e restrita a efemérides da aristocracia. Era encenada em celebrações de bodas, coroações, carnavais, batizados de príncipes ou comemorações de batalhas. Servia como o oposto à miséria dos camponeses e súditos, assolados por guerras e doenças.

Mas afinal, o que é uma ópera? Quando ela surgiu e por quê? Aqui, não pretendo explanar com profundidade este assunto, como a ópera exige , primeiro porque existem muitas fontes para pesquisa e segundo porque meu conhecimento não é tão vasto como é de um estudioso deste gênero musical.

Quando nasceu a ópera? A tragédia grega já tinha musicalidade. Na Idade Média, artistas de jograis e comédias cantavam pelas ruas. A própria Igreja se valeu de cantos gregorianos. A rigor, contudo, a ópera surgiu como resultado de um grupo de estudos sobre a Antiguidade, formado por artistas e professores na década de 1570, em Florença, na Itália.

Vale a pena, então, para melhor compreender este gênero de música localizar a ópera no contexto do tempo e do espaço, tentando mostrar uma introdução através de sua história inicial.

A ópera é uma arte que engloba várias outras, pois envolve canto, orquestra, dança ou balé, drama ou enredo cômico e por isso ela se resume num espetáculo sem limites, numa apresentação artística completa.

Quando no seu surgimento, há mais de 400 anos, os artistas florentinos tentaram recriar o teatro grego, acabaram por inventar um novo gênero de obra artística. O grupo de aristocratas que se reuniam, com o nome de Camerata, tinha por motivação a reprodução, mais fidedigna possível, da combinação harmônica de palavras e música, que era o que fazia a grandeza do teatro grego.

Poetas e músicos sonhavam em recuperar a declamação lírica das tragédias gregas num espetáculo total que englobasse todas as artes , dando ênfase à monodia , ou seja o canto solista, e criaram assim, o que nós chamamos hoje de ópera.

Embora os registros da história da arte tenham colocado a obra de Jacopo Peri, chamada “Dafne”, que estreou em Florença em 1597, como início desta história, ela propriamente não pode ser considerada uma autêntica ópera e nem mesmo , do mesmo autor, a composição musical “Eurídice”, estreada em 1602 se encaixa aos moldes de uma verdadeira ópera.

Entretanto foi esta última que possibilitou a Monteverdi criar a sua primeira obra nesse estilo, pois o duque de Mântua assistira a apresentação de Eurídice ( no casamento de Henrique IV) e sete anos mais tarde encomenda a Monteverdi algo parecido. Nasce, pois , “Orfeo”., a primeira ópera que se tem registro e que acaba de completar 400 anos desde sua estréia em Mântua.

Assim, o primeiro grande compositor de ópera foi Claudio Monteverdi, com a sua ópera “Orfeo”( La Favola d’ Orfeo), que continua viva até hoje, sendo apresentada em várias casas de ópera. E se a beleza dessa música continua viva é pela sua força dramática, que Monteverdi põe nas figuras mitológicas uma sensibilidade humana. Orfeo, como protagonista da história celebra os poderes sobrenaturais da música e do canto e sobrepõe os temas da música e da paixão humana.

Claudio Monteverdi escreveu 18 óperas, mas apenas três sobreviveram ao saque de Mântua em 1630: Orfeo, O Coroamento de Popeia e o Retorno de Ulisses a sua Pátria, são as três que restaram.

A primeira ópera de Monteverdi – Orfeo (libreto de Alessandro Striggio), é uma fábula mitológica baseada na história do poeta grego que , apaixonado por sua esposa Eurídice, morta por uma cobra, decide entrar no Hades, que é o reino dos mortos, para convencer o deus a trazer Eurídice de volta ao mundo dos vivo.

O deus Hades resolve atender a Orfeu com uma única condição : que ele não olhe para trás antes de sair do mundo dos mortos. Apesar disso, o poeta não resiste às ansiedades do coração apaixonado e , ao olhar à procura de sua amada , perde novamente a sua querida Eurídice.

Orfeu assim é tomado por uma imensa tristeza e desconsolo. O deus Apolo, comovido com o desespero do esposo tão apaixonado, convida-o para o Olimpo onde encontrará Eurídice como uma estrela.

A importância da ópera de Monteverdi vai além dela ser uma obra fundadora , mas é que ela servirá de modelo para as futuras óperas. Nela encontramos todos os elementos da opera como o recitativo, a ária, a declamação lírica, o bel canto, o duo, o balé e a orquestra, além dos temas do amor apaixonado e das mortes trágicas, que mesmo numa história mitológica ele dá uma sensibilidade humana ao protagonista.

Assista o vídeo e lembre-se que é uma composição de 1610, do século XVII, e procure extrair sua força dramática e musicalidade, como inovações da época.




Levic

2 comentários:

George Luis disse...

Estou adorando conhecer mais sobre as óperas!

Estacoes disse...

Muito bom que haja quem se disponha a escrever e pensar sobre o assunto. Estou em processo de formação superior musical e, no momento, estou estudando todo este acontecer histórico.

Parabéns pelo interesse e investigação.