Vale a pena ser feliz

sábado, 17 de abril de 2010

Você gosta de jazz?




É um jazz com uma mistura, mas que vale a pena. Ah! mas como vale a pena!

Descobri este trio por acaso e fiquei fanzoca deles. É um trio que reune músicos importantes e
proeminentes da cena do flamenco espanhol. Carles Benavent, Tino Geraldo Di e Jorge Pardo são os alicerces sobre os quais repousa o som New Flamenco.

Através de seu trabalho em inúmeras gravações e shows, não só com Paco de Lucía e Camarón, mas também com Miles Davis, Quincy Jones e Chick Corea, eles criaram uma linguagem musical que mostra bem a sua face bonita e harmoniosa, numa extraordinária fusão entre música flamenca ao conceito de jazz.


O trio deriva do projeto antes de Benevant e Pardo, um sexteto que forjou seu próprio caminho na história do novo flamenco e culminou no verão de 98, após uma turnê enorme que os levou através de todos os grandes festivais de jazz. Foi neste sexteto que, como um fato histórico, a improvisação ocorreu ao longo dos quadros rítmicos do flamenco com a mistura " jazzy".

O seu CD "El Concierto de Sevilla", que foi gravado durante dois shows no Teatro Central, em Sevilha, em dezembro de 1999, evidencia os seus trabalhos individuais e a criação de uma extraordinária combinação de jazz, flamenco e a música mediterrânica. O outro CD é o
"Sin precedentes", que inclui faixas originais onde mostram maturidade e cumplicidade adquirida ao longo de muitos anos juntos e muitos shows ao redor do mundo.

Aqui está um trio maravilhoso que eu gostaria que houvesse mais como esses por aí. Jorge Pardo na flauta e sax é acompanhado por Carles Benavent com seu som característico no baixo e Tino di Geraldo na bateria e tambores.




Espero que esta novidade para mim tenha agradado também a você.

Levic

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

É algo indescritível o Cirque du Soleuil

Desde que tomei conhecimento do Cirque du Soleil na ocasião de sua apresentação de "Os Saltimbancos", que minha paixão por suas atividades tomaram conta de mim durante algum tempo e fui impelida a adquirir todos os dvds de shows, documentários e livros. No espetáculo ria e chorava de emoção ante tudo que ia passando no picadeiro. Nele, homens e mulheres desafiavam os limites dos próprios corpos e da lei da gravidade. Isso para mim é de uma beleza imensa!
Ao longo da sua evolução, o Cirque du Soleil optou por se envolver com os seres humanos e as coletividades, e atuar junto de um número cada vez maior de pessoas com o objetivo de ajudar a melhorar a qualidade de vida de todos os seres humanos.O Cirque du Soleil procura conduzir-se de maneira a respeitar seus funcionários, parceiros, clientes, vizinhos e o meio ambiente, bem como as leis e culturas de todos os lugares onde está presente.

Na realização de seus sonhos e nas suas atividades práticas, o Cirque du Soleil deseja posicionar-se na comunidade como um agente de mudança responsável. Este compromisso com a responsabilidade social é central para as estratégias de negócio e os métodos de gestão da organização.

Enfim, este circo é uma proposta de vida toda especial, onde todos os artistas têm que saber o que o outro faz e aprender um pouco da especialidade de cada companheiro seu. Isto é fantástico porque todos se encontram no mesmo nível. E até os empregados de suporte também são artistas e as tarefas diárias do circo são em sistema de rodízio, onde todos podem participar de tudo. Bem, ao lado disso o espetáculo é sempre cuidadoso nos números apresentados, nas fantasias, na maquiagem, no sistema de troca de números e até nas palhaçadas.

O Cirque du Soleil começou quando um grupo de artistas de rua no Quebec (Canadá) decidiu criar uma nova maneira de exprimir a paixão do grupo pelas artes circenses. Sob a direção de Guy Laliberté, o Cirque du Soleil usou a sua paixão pela criatividade e pela inovação para redefinir a paisagem do entretenimento e maravilhar espectadores do mundo inteiro.A empresa conta com quase 4000 funcionários, de 40 países diferentes, incluindo 1000 artistas.



Depois de turnês em seis cidades brasileiras (Fortaleza, Recife/Olinda, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, e Pinhais/Curitiba), chegou ao Rio para eu me deleitar com QUIDAM. O que significa esse nome e qual o enredo desse espetáculo?Copiei do encarte de propaganda do próprio Cirque du Soleil e repasso para vocês.



"Um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina, uma pessoa passando apressadamente. Poderia ser qualquer um. Alguém chegando, partindo, vivendo na nossa sociedade anônima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa. Aquele dentro de nós que grita, canta e sonha. É este o "quidam" que o Cirque du Soleil celebra.

Quidam, dirigido por Franco Dragone, transforma um mundo anônimo num espaço de esperança e de relacionamentos.Com mais de 50 artistas de mais de dez países, esta produção é uma excitante combinação de arte acrobática, maestria técnica, criações extravagantes e uma inspiração musical excepcional, harmoniosamente entrelaçadas por um fio emocional dramático. Realmente, a música criada por Benoît Jutras é de uma beleza imensa, indo buscar as imensidões da alma humana.

Quidam, com toda a certeza, foi uma das coisas mais maravilhosas que eu ja vi na minha vida. Foram duas horas em que ou fiquei de queixo caido ou dei altas gargalhadas ou me deliciei com as músicas ou acompanhei com entusiasmo a evolução do enredo ou posicionei cada personagem com o seu valor metafórico. Os personagens são muito interessantes.

Os limites humanos superados em cada sessão. Força, equilíbrio e habilidade, tornam o espetáculo "Quidam" empolgante e alucinante. Momentos incríveis são vividos no Cirque du Soleil

Levic .

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um filme maravilhoso...Vale a pena



Vale a pena ver o filme "Seraphine"."Séraphine" é um dos grandes fenômenos do recente cinema francês — um retrato íntimo de uma pintora que simboliza uma certa arte naïf da primeira metade do século XX.

O filme é de Martin Provost, que foi o grande vencedor do César, o Oscar do cinema francês.




“Seraphine” narra a extraordinária vida da francesa Seraphine de Senlis, uma mulher nascida em 1864 que foi empregada doméstica antes de se transformar em pintora e submergir-se na loucura. O longa ganhou também os prêmios de melhor atriz para Yolanda Moreau, assim como de melhor roteiro original, fotografia, trilha sonora, figurino e cenário. Enfim, o filme é comovente e de uma ternura que escapa pelas fotografias e nos poucos diálogos proferidos pela protagonista. Assim é "Séraphine", sobre Séraphine de Senlis (1864-1942), referência lendária de uma pintora francesa no estilo primitivo (naïf ) e também alguém cuja existência foi toda ela marcada pela ameaça da loucura.

Autodidata, ela foi inspirada por imagens religiosas. Seus motivos decorativos repetiu seus quadros cheios de luz e cor, às vezes são interpretados como um reflexo de seu estado psicológico de êxtase.

Uma mulher do campo, Seraphine presta serviços desde jovem em um convento de Senlis, e em famílias de classe média.

Em seus raros momentos livres, ela anda na natureza, mergulha as mãos na água gelada de rios, contempla o entardecer, ou sobe em árvores, como se fizesse parte da mesma. Um dia, com 42 anos, Seraphine, cuja fé cristã se voltou para o misticismo, ouve uma voz que que lhe manda fazer pinturas. Ela diz:" Minha pintura vem de cima ". Ela é uma artista ocupada pela Virgem e pela natureza, árvores, flores.

Suas primeiras pinturas, naturezas mortas, tropeçam nas mãos do colecionador alemão Wilhelm Uhde, um amigo de Picasso e Braque, com quem ela mantém relacionamentos.

Surpreso com a intensidade que emerge dessa expressão do primitivismo moderno, a encoraja a pintar cada vez mais.


Durante a Primeira Guerra Mundial, Wilhelm Uhde teve que fugir da França, perdendo o contato com Seraphine. No seu regresso em 1927, ele a encontra e organiza exposições, trazendo a história de obras que provavelmente teriam sido esquecidas. Mas Seraphine cai gradualmente à loucura.

Martin Provost conseguiu, assim, um filme digno de toda uma nobre tradição francesa em que o cinema se afirma como modo privilegiado de contemplação do universo da pintura, lembremos o genial "Van Gogh" (1991), de Maurice Pialat.

Eu queria compartilhar com vocês algumas das pinturas de Seraphine Louis (1864-1942).



Levic

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vale a pena ver o trabalho deste caricaturista

Se há alguma coisa que muito admiro é o trabalho artístico de um caricaturista, que tem com traços simples e siginificativos, com boa dose de humor, retratar o que pretende com uma visão global do assunto ou objeto. É o caso deste artista cujo blog é http://cristovaovillela.blogspot.com/

Minha foto
Cristóvão Villela Caricaturista
Sou designer, desenhista industrial,comunicador visual, chargista e caricaturista. Faço desenhos animados, logotipos e outros afins.

Acho que vale a pena dar uma olhada nele. Vale a pena!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Adoro as minisséries

Se há alguma coisa que eu adoro é assistir as minisséries da televisão. Tenho todas em dvds para rever sempre que sentir aquela emoção primeira da primeira vez. E agora, fico mais entusiasmada, ainda, com a minisséire Dalva e Herivelto, principalmente porque é de Adelaide Amaral e depois senti alegria com a volta de Fábio Assunção, que venceu uma batalha muito difícil. E falar de Dalva de Oliveira, uma das melhores cantoras que o nosso país pode contar é admirável. Estou lançando a maior expectativa, esperando uma boa história contada sobre um casal apaixonado e desencontrado na vida, no meio de uma vida artística criativa e tumultuada.

Uma entrevista com Fábio Assunção acho que vale a pena, no momento, para uma reflexão sobre este domínio da droga nos dias atuais. Torço muito por ele.



Dalva de Oliveira preencheu o meu mundo no painel da era do rádio, que nas décadas de 1940 e 50 atraía multidões no Brasil com a mesma força da televisão de hoje. A história da união de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins é tão intensa que eu me pergunto se cinco capítulos darão conta do recado, inda mais que vai explorar não só a parceria musical, mas também - e, principalmente - todos os conflitos que marcaram a trajetória do casal.

Dalva e Herivelto se atacaram a partir de músicas , que criaram verdadeiras réplicas musicais e muito foi escrito no Diário da Noite, famoso jornal da época sobre a cantora. Enfim, uma vida íntima bem pública de amor e ódio, que somente os amargurados apaixonados sabem fazer. As brigas do casal foram tão intensas que eles chegaram a perder a guarda dos filhos:eles foram colocados em um internato.

Pery Ribeiro, fruto do conturbado casamento dos músicos, organiza um megashow que passará por Rio e por São Paulo com o repertório dos pais.

No mais, vamos esperar para ver. Mas de antemão eu acho que vai valer a pena. E para relembrar, deixo este vídeo.



Levic

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A psicologia do "Despertar da Primavera"

A peça do dramaturgo e escritor Franz Wedekind - "O Despertar da Primavera" - escrito em 1891, trata basicamente dos aspectos do sujeito adolescente, podendo ser considerada como um referencial, sempre atual, da questão da adolescência, sob o enfoque de um despertar do sujeito aos encontros e desencontros na vida humana.

Na verdade, este tempo adolescente do ser humano, que é um tempo lógico e não cronológico, é um despertar para o mal-estar do ser humano diante de situações angústiantes que implicam na sua sexualidade.

Mas é um tempo lógico.Um tempo lógico? ! ? Seria lógico no sentido da adolescência acontecer numa determinada fase da vida igual para todas as pessoas e não seria lógico, no sentido de que nem todas as pessoas estão ou se sentem preparadas para esta passagem com a mesma idade que outras.

A adolescência não é um tempo determinado na vida humana. Ela pode acontecer em qualquer idade após a infância e, talvez(quem sabe? ) não acontecer jamais...Isto porque adolescer é um marco, a morte simbólica da criança para o nascimento do adulto desejante.

A adolescência não permite mais lançar mão dos pais, como é utilizado pela criança, para fazer frente a esta descoberta dos impulsos sexuais. Nesse tempo da adolescência, os pais são sempre falhos nas respostas, exigindo que o sujeito vá buscar trilhas dos caminhos da lei, na qual o seu desejo está inscrito de forma simbólica.

De uma forma sucinta, pode-se dizer que a peça de Wedekind gira em torno de quatro personagens principais: Melchior, Wendla, Moritz eIlse.

Ela aponta os grandes conflitos da adolescância, focalizando entre outros a questão da sexualidade, quando o adolescente descortina a relação sexual como impossível, pois, com o encontro do ato sexual, descobre que as fantasias sexuais nunca se completam inteiramente, posto que sempre o ato em si revela-se inadequado.

A descoberta da contradição entre ternura e sexo, que se mostra claramente entre alguns personagens da peça, clarifica que esse tempo de descoberta sexual é marcado por uma necessidade de auto-exploração, muito mais que pela entrega ao amor, hoje em dia revelado
abertamente pelo comportamento do "ficar" com alguém, inspirando a moda atual do adolescente no nosso meio social.

Ainda há que ressaltar o caráter da sexualidade como polimorfa perversa que na peça é referida e colocada em ação, não só pelas fantasias engendradas pelos personagens, mas também na cena entre Melchior e Wendla que sustentam uma atuação "sadomasoquista", se é que se pode nomear desta forma.

A surpresa e a angústia experimentada por Melchior ao constatar que sentiu prazer e excitação em infringir dor física a Wendla, leva-nos ao entedimento da tênue fronteira que separa a dor e o prazer. Isso nos remete às origens da sexualidade humana como fundamentada no masoquismo erógeno. Wendla quer sentir dor ao implorar que o rapaz lhe bata com uma vara, ao mesmo tempo que intuitivamente sabe que a excitação despertada pelo ato abre uma porteira para extravazar os impulsos sexuais.

Wendla caracteriza bem a problemática da assunção da feminilidade como algo construido pelo despertar da sexualidade na menina. Sua relação com a mãe é fator essencial para que uma possívem alternativa de saída seja efetividada. Privada de maiores esclarecimentos sobre
seu florescimento sexual pelas limitações preconceituosas da mãe, entrega-se à curiosidade e ao prazer da descoberta com Melchior, o que a leva `a transgressão e, posteriormente, à morte por um aborto mal sucedido.


Wendla questiona a veracidade dos bebês serem trazidos pela cegonha, exigindo uma resposta honesta da mãe, que com muita dificuldade fala do amor entre um casal para ter um filho. Esta cena mostra como soa falso o que a mãe diz ao assinalar que tem que ser com um único homem, com o homem que ama.

É em torno das vicissitudes da adolescência que, no decorrer das cenas da peça teatral, surge a necessidade dos meninos em falar sobre a sua sexualidade e suas dificuldades em ter contato com o seu próprio corpo, suas transformações, suas fantasias e desejos, pois a educação por eles recebida, e a coerção exercida pela sociedade da época, os impede de encarar tal fato com naturalidade, levando-os a conjecturar como seria diferente a educação dos seus filhos, na medida em que a educação que recebem os leva a uma dificuldade em corresponder suas necessiades ao que a sociedade e os pais esperam deles.


Um outro aspecto que o texto sobressai é o da tendêcia a agir, evidenciando o problema de suicídio que vem ocupar, hoje em dia, uma preocupação muito discutida em todos os países. O personagem Moritz revela que este tempo adolescente é propício ao acionamento de um mecanismo de eclosão de conflitos interiores, desencadeando o surgimento da crise do pai, e essa crise pode ser interpretada como uma tendência de fazer-se um pai, por este não estar funcionando inteiramente. Os ideais vacilam e o adolescente sai à procura de novos ideais.

A escola ao reprovar Moritz colocou-o frente com a derrocada do seu ideal ao qual estava fundido e, portanto, foi a conjugação de vários fatores que levaram-no ao suicídio. A escola nunca deve esquecer que ela tem que lidar com indivíduos imaturos a quem não pode ser
negado o direito de se demorarem em certos estágios do desenvolvimento.

São palavras de Moritz:
"Para que nós vamos ao colégio?...Para que eles nos reprovem! Eles vão reprovar sete. Na turma do ano que vem só cabem sessenta alunos. Eu estou me sentindo meio estranho..."

O desejo dos pais de Moritz é de que, através dele, eles possam ascender socialmente, já que não foram capazes de fazê-lo e para isto colocaram o seu filho na mesma escola que Melchior frequenta. Assim, alheios ao fato de Moritz nunca ter sido bom aluno e nem haver prognóstico para tal, depositaram nele uma enorme expectativa de obter sucesso escolar e social. Mas será que ele estaria estruturado para cumprir esses desejo dos pais?

No decorrer da peça, observa-se que momentos antes do ato trágico, após ter-se despedido de Ilse, uma amiga prostituta, Moritz diz:"Era só dizer uma palavra"...Que palavra lhe conduziria contornar o impasse de sua angústia? Seria aquela que lhe possibilitaria o acesso ao gozo sexual com o outro?

Seu suicídio é uma desesperada forma de se inscrever na divisão do próprio corpo, onde o primeiro surto leva-o definitivamente a uma separação sem apelo. Esse surto pode ter sido desencadeado após o encontro com Ilse, onde ele não se vê na posição de poder sustentar
uma posição masculina, diante do desejo de uma mulher. Ilse, representa A mulher, o que prova sua falta de estruturação, porque não podendo sustentar o seu ideal, lança mão da escolha pela morte como forma de "Sair de cena" da vida.

Enquanto isso, Melchior, ocupado que está em situar-se como homem na partilha dos sexos, não tem tempo para se preocupar com o que ocorre com as mulheres, pois o seu encontro com o sexo lhe faz um chamado para tomar posição diante da parceria com o sexo oposto.

Ele não quer se perder, razão pela qual pode aproximar-se de Wendla e engravidá-la. Não é a mesma coisa que ocorre com Moritz, que foge do contato com Ilse, mostrando que cada sujeito, de acordo com a sua história, está disposto a fazer determinadas escolhas, escolhas estas que seguem os mais diferentes caminhos.

Enfim, o que a peça nos mostra é que o preço pela desistência do desejo é a morte com todas as suas representações simbólicas. Moritz, ao contrário de Melchior, não suportou o peso do gozo, sentindo-se culpado. Melchiior, apesar da expulsão escolar, da dificuldade na relação com seus pais após os fatos da descoberta dos desenhos e explicações sexuais que deu para Moritz e de sua relação conflituosa com Wendla, percebe ser possível o gozo que o leva a substituições do objeto sempre perdido, o qual marca as separações e os lutos na vida.

Despertar difícil esse que marca a adolescência, posto que traz uma exigência ética que, se está desde sempre para o sujeito, nesse momento se deflagra como uma luta acirrada. Exigência ética frente ao seu desejo que o impele ao confronto com a falha estrutural própria da formação do ser humano, onde as garantia imaginárias sofrem abalos e algo se impõe como impossível de simbolizar.

"O Despertar da Primavera" , mil vezes vale a pena!




Como é interessante observar como um assunto entra no outro. Tenho reparado que os meus posts nos meus outros blogs tem, nas suas peculiaridades, abordado o mesmo tema simultaneamente. Não que eu queira, mas parece que uma idéia leva a outra. Se falo em sexualidade, me vem a figura de Freud e com ele a sua teoria da sexualidade. Por coincidência ou não (às vezes o inconsciente nos leva até a determinados lugares) fui ver a peça teatral "O Despertar da Primavera", no Teatro Villa-Lobos, na sua última semana de apresentação aqui no Rio de Janeiro. E de que ela fala? Sexualidade...

É um musical muito dramático, que precisa de atores muito jovens, capazes de cantar bem e representar papéis complicados. São papéis de um viés psicológico que não são vistos em quase nenhum musical. E é uma peça clássica, onde os personagens estão inteiros. Não é uma adaptação superficial, pois como eu já tivesse lido o livro escrito pelo alemão Benjamin Frank Wedekind , verifiquei que o enredo e a trama obedeceram totalmente ao autor.

A obra, escrita em 1891 e que só conseguiu estrear em 1898, passeia livremente por entre as principais correntes estilísticas do final do século XIX, como o Simbolismo e o Expressionismo. Temas polêmicos, e nunca antes abordados na dramaturgia européia, devem ter provocado reações absolutamente inesperadas nas platéias burguesas de uma Europa que já se preparava para viver as amarguras da Primeira Grande Guerra.

A violência doméstica, os rigores de um sistema educacional decadente, as drogas, o homossexualismo, o estupro, o incesto, o aborto e, para finalizar, o suicídio eram alguns dos assuntos debatidos pelo autor em seu texto que, apesar da crueza dos temas, soube tratá-las com delicadeza e lirismo, trazendo à tona uma das mais belas peças deste período.

Em resumo, a obra fala sobre um grupo de adolescentes e suas primeiras descobertas sexuais. O cenário é basicamente uma escola da Alemanha, no final do século XIX.

“O Despertar da Primavera” foi escrita no formato de peça teatral. Encenada no princípio do século XX, foi repetidamente censurada, até ser finalmente apresentada integralmente em Londres, em 1974. O texto foi adaptado para musical ganhando uma trilha sonora de rock, e virando musical na Broadway, estreando em 2006 e consequentemente ganhando oito prêmios Tony no ano de 2007, no título de “Spring Awakening” .



Dois anos depois, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho foi responsável por transportar a montagem ao Brasil, e quem assina as músicas é Ducan Sheik, com textos e letras de Steven Sater.

E em matéria de musical, o Cláudio e o Charles estão na vanguarda e, para quem ainda não sabe, foram eles que trouxeram ao Rio o espetáculo “A Noviça Rebelde”, que eu considero um marco na história dos musicais no país, depois de tanto tempo sem bons musicais no Rio.

Eu fui assistir ao espetáculo na sua última apresentação, tres meses depois da estreia, e senti a presença dos atores no palco de uma forma muito marcante, impressionante. Era como se fosse a noite de estréia. Eles não demonstravam nem cansaço e nem displicência.

A mim, o que mais impressionou foi a qualidade da iluminação e das músicas, que são interpretadas ao vivo por uma orquestra, localizada atrás do palco ( se bem que no final, nos aplausos, todos os músicos deveriam vir à frente e se misturar aos atores), finalizando com maior empolgação.

A qualidade do elenco também é da melhor categoria, pois são 17 talentosíssimos jovens atores, que além de tudo cantam o tempo todo. Destaque para Malu Rodrigues que interpreta a menina Wendla, com uma voz linda. Uma menina tão pequena, mas uma voz maravilhosa. E Rodrigo Pandolfo que interpreta Moritz, amigo de Melchior (Pierre Baitelli) que tem uma história triste,engraçada e surpreendente, canta com maestria.




Pierre Baitelli também canta com o coração, mas na verdade, como eles não são cantores, interpretam muito bem não só as músicas como também o texto.

Deixo o vídeo do início da peça e a entrevista com Rodrigo Pandolfo, que é o destaque sem dúvida da apresentação.



É uma indicação que VALE A PENA !



Recomendo abrir este post, cujo link é:
http://www.moellerbotelho.com.br/acervo/o-despertar-da-primavera
e uma entrevista com Cláudio Botelho, que vale a pena falar dos musicais:
http://www.youtube.com/watch?v=wrSh9YULV1c&feature=related

E uma outra com Charles Möeller:
http://www.youtube.com/watch?v=7eqeVPLO0sM

Levic

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A sexualidade segundo Freud

Estive falando sobre Freud no meu blog "É diferente..."http://diferentedooutro.blogspot.com/, na última postagem e isso me reporta às reflexões a respeito da sexualidade humana, o ponto inicial da teoria freudiana. E Freud assinala que toda a sexualidade está na origem das neuroses.

Com linguagem mais apropriada ao tema, tentarei esclarecer, a quem possa interessar-se pela discussão, a complexidade da sexualidade que dá saída para todos os desejos humanos e sua consequente ambiguidade ou espantosa escolha amorosa.

Afinal, como tudo começou?

Podemos dizer que no momento em que o ser humano diferenciou-se dos outros animais, pela perda dos equipamentos instintivos (o ser humano tem pulsão e não instinto, que seria algo imutável herdado por gerações), houve uma espécie de defasagem, marcando o ser humano com uma falta estrutural,"desorganizando" consequentemente a sua sexualidade.

A ausência de instinto no ser humano exige dele um processo de simbolização para representar o objeto sexual, na medida que não é dado biologicamente a saída para a sexualidade.



Então, é neste sentido que a sexualidade vem aparecer no ser humano como uma disposição neurótica, pois ele é obrigado ao movimento de produzir uma sexualidade singular, obrigando-o a uma exigência de representação psíquica para dar conta desse desarranjo estrutural, que é a própria sexualidade humana.



A sexualidade, assim, é produtora de conflitos, uma vez que ela não é uma função (o que seria fácil de resolver), mas ela tem a ver com o desejo, e este é remetido à falta estrutural do ser humano e que, portanto, necessita de representações, de fiadores psíquicos para funcionar com certo equilíbrio.


A eficácia da sexualidade é fantasística e simbólica, e é pelo encaminhamento psíquico da pulsão que se pode dizer que a neurose foi instalada como processo de silenciar as energias das pulsões pela força do recalque, que é o processo insconciente de "esquecer" a primitiva sexualidade.


O que vem à tona na consciência( e nem sempre, porque é mais inconsciente mesmo) são os sintomas, sonhos e as simbologias singulares a cada um, em forma de cheiro, imagens, imaginações, palavras, obras de arte em todos os sentidos, os desafios, os jogos, as fantasias, os fetiches, enfim toda produção da criatividade, que só o ser humano possui.

O fato do ser humano ser pulsional, portanto, o predispõe ao conflito, revelando assim a disposição neuropática que está na origem da sexualidade. O que a sexualidade remete é ao desejo e este por sua vez remete à falta, à angústia que isso provoca, produzindo assim a
neurose. O ser humano "normal" é um ser neurótico na sua essência.

Woddy é tão neurótico que faz análise desde os 24 anos, porque "sabe" que é normal.


Levic

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vale a pena ler...

A depedência à Internet



É assunto corriqueiro dizer que uma pessoa ( filho, marido, amigo) é viciado em Internet, mas nem sempre levamos isso a sério, porque ainda não atentamos que o uso demasiado do computador pode ser transformado numa doença. Verdade...a depedência à Internet. Ela se manifesta como uma inabilidade do indivíduo em controlar o seu uso e o envolvimento crescente com a Internet e com os assuntos afins, que por sua vez conduzem a uma perda progressiva de controle e aumento do desconforto emocional.

Este assunto, mesmo sendo de grande
seriedade, ainda não é visto como doença pelos médicos, mas acredita-se que o maior problema é a pessoa admitir este comportamento como tal, que é um passo muito difícil para o dependente, e que não há informação suficiente para um estudo mais aprofundado.

Entretanto seus efeitos sociais são significativamente vistos como negativos, porque os indivíduos que despendem horas excessivas na Internet, tendem a utilizá-la como meios primários de aliviar a tensão e a depressão, podendo apresentar a perda do sono em conseqüência do incitamento causado pela estimulação psicológica, e a desenvolver problemas em suas relações interpessoais.

Além disso, os
dependentes usam a rede como uma ferramenta social e de comunicação, pois têm uma experiência maior de prazer e de satisfação quando estão on-line, podendo este ser um fator preditor para a dependência.

Necessidade de estar conectado à internet o tempo todo, falta de interesse pelo convívio social, uso do computador como forma de fugir de problemas e busca de alívio , são esses alguns dos sintomas que os dependentes da rede desenvolvem, provocando conseqüências nas esferas sociais, emocionais e profissionais.

As páginas mais procuradas na internet são aquelas que permitem uma relação de amizade com quem está do outro lado. Por isso, os
clicks campeões levam a salas de bate-papo e sites de relacionamento, como o Orkut. sexo virtual também está no topo da lista e nestes casos, entra em jogo o anonimato e a possibilidade de vivências com outras pessoas.

Cada vez mais aumenta o número de pessoas que faz uso regular da internet. Segundo dados divulgados pela Revista Veja, no Brasil esse número já chega a 21 milhões, onde 30% dessas relatam pelo menos um caso em que a rede lhes causou alguma espécie de prejuízo.

As pessoas buscam a internet para atender diversas necessidades, tais como: pesquisas, entretenimento, compras, para investir em ações, para baixar programas, como meio de comunicação, assistir filmes, conhecer pessoas, estudar, fazer transações bancárias, ler ou escrever em blogs, etc. Mas em todas essas operações, o risco da depedência é grande.

A pesquisa da instituição YouGov diz que 70% dos 34 milhões de internautas no Reino Unido perde quase um terço do seu tempo online em buscas que não têm objetivo definido. Os homens seriam o grupo mais afetado pelo problema, que analistas de hábitos na internet batizaram com a sigla WILF, juntando as primeiras letras da frase "o que eu estava buscando?" em inglês ("what was I looking for").

Enquanto especialistas não entram em consenso sobre as pesquisas, pelo menos o rótulo dessa compulsão já está criado: "heroinware" - conjunção entre "heroína" e "software".

A maioria dos dependentes perde
a noção do tempo e passa a negligenciar necessidades básicas
como dormir e comer e aí o uso de computador cruza a fronteira entre o normal e o patológico.


Vício, compulsão ou doença mental? Para a publicação norte-americana "American Journal of Psychiatry", a dependência de internet, seja para jogos, e-mails, artigos dos blogs ou conversas em comunicadores instantâneos e salas de bate papo, é doença mental.

Os primeiros estudos indicaram que a maioria dos dependentes eram homens introvertidos em com alto nível de instrução, mas estudos mais recentes mostram que mulheres de meia idade formam o principal grupo de "viciados", e os critérios indicativos de que uma pessoa pode estar se viciando ou já é uma viciada em internet não está ao seu alcance.

Critérios tais como a preocupação excessiva com a internet,
necessidade de aumentar o tempo de conexão, irritação ou depressão quando há redução do tempo de navegação, mentir sobre a quantidade de horas conectadas e a perde da noção de tempo e esquecer de comer ou dormir.

O problema é quando essa situação do mundo virtual se sobrepõe à realidade e começa a interferir nos relacionamentos reais. Li
recentemente um jovem falando a respeito de seu pai: "Meu pai é um viciado. Passa horas em frente ao computador, esqueceu da vida que tinha, trocou a família pelo computador. Fica jogando, em bate papo, namorando, brigando, coisas inesplicáveis. Totalmente loucura. Fico pensando como alguém chega nesse ponto. Não dorme direito, vira noites em claro e acha que está tudo bem...Já conversamos, levamos a um médico, mas ainda não adiantou. Eu não imaginava que essa coisa de vicío em internet existia. Mas estou pesquisando sobre isso e vejo que é cada vez maior o numéro de casos".

Veja as características de usuários graves de internet, que passam muito tempo e que podem ter dependência de internet: - Pessoas inteligentes e mentalmente muito ágeis - Preferem passar o “dia todo” conectados - Pertencentes a todas as faixas etárias - Apresentam depressão e/ou ansiedade - Preferem as interações virtuais às reais - Utilizam a internet como uma forma de expressão daquilo que realmente são e pensam (refúgio) - Ciclo de amizades e de relacionamentos muito empobrecido - Desenvolvem idiossincrasias na rede.

Thiago Dória fala sobre o vício em internet.


Vale a pena fazermos uma reavaliação do uso deste importante instrumento tecnológico, mas que tem feito muitas vitimas pelo seus excessos.


Levic

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pretendo modificar o blog



Quando tive a idéia de introduzir a ópera no "Vale a Pena!" eu ainda não tinha a noção que o assunto iria se estender tanto, uma vez que minha intenção era fazer um estudo da história da ópera e suas implicações através dos séculos. Entretanto, como o tema é vasto, sobretudo nos séculos mais recentes, houve necessidade de estender os posts. Inclusive eles ficaram enormes para a leitura e eu não sabia como enxugá-los para uma melhor apresentação. Enfim...vi que o tema exige um blog somente para ele.

E foi neste raciocíniio que criei o blog "O Resumo da Ópera", cujo link é http://resumodaoopera.blogspot.com/ ,com o objetivo de dar maior expansão às idéias que muitas vezes tive que cortá-las. Pretendo exportar os posts escritos, mas por enquanto deixarei aqui até o outro ficar mais sistematizado.

Interessante é que vi que somente este blog do "Vale a pena" não satisfazia ao o que eu queria escrever, pois ele é mais para sério do que para assuntos corriqueiros. Não que eu seja séria, mas este foi o caminho dado a ele numa certa altura. Assim , criei também "O buraco é mais embaixo"(linkhttp://buracoembaixo.blogspot.com/: )para tecer algumas críticas ou mostrar alguns absurdos do cotidiano ou até mesmo enfatizar algum acontecimento que me pareceu inusitado.

Ao lado deste, criei um outro que tem o título de "É diferente..",(http://diferentedooutro.blogspot.com/ ) cuja intenção é evidenciar pessoas ou qualquer coisa que me pareça ter um significado único, que destoa do comum do dia-a-dia. É assim que percebo alguns artistas, algumas situações, algumas pessoas do meu relacionamento e alguns nomes da história em qualquer aspecto. O sublinhado neste espaço é aquilo que faz a diferença.

Muito bem. Só não sei se vou ter tempo e criatividade para assumir tantos blogs, mas confesso que estou meio fanática por esse mundo. Pena eu não ter tantos conhecimentos técnicos da informática para poder melhorar. Gozado que quando me incentivaram para criar um blog, eu levei na brincadeira e não dei muito crédito a esta façanha. Mas à medida que eu fui entrando em outros blogs, que fui vendo a qualidade dos mesmos e como tem gente boa neste meio, comecei a me entusiasmar, e hoje eu tenho muitas leituras para fazer diariamente de blogs que são simplesmente maravilhosos.
Bom, meus amigos e meus leitores, espero não cansá-los e nem tampouco trazer temas desinteressantes, embora nem sempre isso possa ocorrer. Porém uma coisa afirmo: embora não os conheça pessoalmente, tenho um carinho especial para os meus seguidores e para quem faz os comentários, dando-me uma atenção e me incentivando para abrir fronteiras. Obrigada por partilharem comigo idéias, novidades, emoções.Obrigada por estarem comigo nesta caminhada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ópera - Compositores Franceses- Séc. XX

Será que ainda vale a pena falar da história da ópera e sua evolução, através dos tempos, pelos países? Depois de um tanto afastada do meu querido blog, retorno com esta dúvida. Ou já deveria ir para outro assunto? Acontece que não consegui...É uma espécie de traição com os outros países e com os outros músicos que tanto admiro. Portanto...Mais óperas! Na vez dos franceses. E Salve! Bravo!!!

Gabriel Urbain Fauré (Pamier, 12 de maio de 1845 — Paris, 4 de novembro de 1924) foi um compositor francês.

Fauré, após a guerra de 1870 faz contínuas viagens para assistir uma série de apresentações de Saint-Saëns e, principalmente, Richard Wagner. Embora impressionado com a música e o gênio de Richard Wagner, Fauré nem por um momento se deixou influenciar, permanecendo na história da música francesa no estilo da segunda metade do Século XIX.

Compôs duas óperas: Prométhée (Opera in three acts: Tragédie lyrique, 1900) e Pénélope (Opera in three acts: Poème lyrique, 1913).



Veronique Gens canta uma canção "Nuit D'etoiles Song Après un rêve" Op. 7 no 1 de Gabriel Fauré e no piano Roger Vignoles.



font-size:100%;" >Nascido em Lorena, deixou a região natal, com a família, depois da guerra franco-prussiana de 1870. Na cidade de Tourcoing cursou violino e harmonia na Escola das Belas Artes – e foi o município dessa cidade que lhe ofereceu uma bolsa para continuar os estudos no Conservatório de Paris. Aí, foi aluno de Émile Pessard e de Jules Massenet.

Tendo sido compositor de música considerada por muitos como excêntrica, a sua obra é principalmente associada à criação de ‘A Coroação da Musa’, um espectáculo que tinha Montmartre por cenário, com 1250 intérpretes em cena e apresentada por ele próprio aos 91 anos.

A ópera ‘Louise’ - 1900, é considerada a sua obra-prima e de que veio a ser feita uma versão cinematográfica. Além desta ópera, ele também criou Julien, ou La vie du poète - 1913 e L'amour au faubourg - 1913.





Renee Fleming canta de Charpentier "Depuis Le Jour",da ópera Louise sob regência de James Levine do Metropolitan. Depois aproveita nos vídeos relacionados que estão na telinha para comparar a mesma ária com vários intérpretes.



Claude-Achille Debussy, músico que nasceu em Saint-Germain en Laye (França) em 1862 e faleceu em 1918. Na época que ele viveu, além de ser moda no meio musical europeu no final do século 19, Wagner exercia influência com suas obras e inclusive fortemente na obra de Debussy, como na cantata "La demoiselle élue" (1888), como também em "Musique javanese" a Paris (1889) e em "Cinq poèmes de Baudelaire" (1889).

Entretanto, no novo século XX , Debussy criou sua própria linguagem musical: um sistema original de harmonia e de estrutura musicais inspirados nos pintores impressionistas e nos poetas simbolistas. Sua abordagem teve uma enorme influência na música moderna.

Em sua obra pianística, Debussy resgatou o rococó. Seu último volume, "Études" (1915), possui variantes de estilo e textura baseados nos exercícios para o piano, com nítida influência do jovem Stravinsky. Em 1902, compôs a sua única ópera, "Pelléas et Mélisande", com novos recursos dramáticos, como a declamação, a técnica já consagrada de Wagner.



Pelleas et Melisande-Debussy-,na interpretação de Isabel Rey e Michael Volle, numa apresentação em 2004.



Paul Dukas nasceu em 1865, Paris, e morreu em 1935, Paris. Foi um compositor do modernismo, e também professor de composição e crítico musical bastante conhecido. Autor da composição "O Aprendiz de Feiticeiro", baseada em um conto de Johann Wolfgang von Goethe (Der Zauberlehrling). A obra que ficou mundialmente conhecida por ter sido aproveitada no filme "Fantasia" de Walt Disney, de 1940, com Mickey no papel do aprendiz.

Sua única ópera foi Ariane et Barbe-Bleue (1907), com libreto de Maurice Maeterlinck.



Suzanne Balguerie canta: "Ô mes clairs diamants". da ópera Ariane et Barbe-Bleue.



Albert Charles Paul Marie Roussel (5 de abril, 1869 - 23 de agosto, 1937) foi um compositor francês. Albert Roussel nasceu em Tourcoing. O primeiro interesse de Roussel não foi a música, e sim a matemática. Ele passou um tempo na Marinha Francesa e em 1889 e 1890 ele serviu em uma fragata. Começou a estudar música seriamente com Eugène Gigout e continuou seus estudou até 1908 no Schola Cantorum (um de seus professores na escola foi Vincent d'Indy). Enquanto ele estudava, ele também lecionou, e um de seus estudantes foi o jovem Edgard Varèse. Durante a Primeira Guerra Mundial ele serviu como o motorista de uma ambulância.


Os seus primeiros trabalhos foram fortemente influenciados pelo impressionismo de Debussy e Ravel. Roussel teve interesse no jazz e escreveu uma composição para voz e piano entitulado Jazz Dans la Nuit.

Seus trabalhos mais importantes são os balés Le Festin de l'Araignée, Bacchus et Ariane e Aeneas e mais quatro sinfonias. Seus outros trabalhos incluem numerosos balés, suites orquestrais, um concerto para piano, um concertino para orquestra e violoncelo, um salmo para coral e orquestra, música incidental para teatro, música de câmara, música para piano solo e canções.

Padmâvatî, ópera em 2 atos (1913–18) foi apresentada no Paris Opéra.
Roussel morreu na cidade de Royan, no oeste da França, em 1937.



A ária :"Padmavati est l'image vivante...." Albert Roussel : PADMAVATI Festival dei Due Mondi di Spoleto , em junho de 2008 com Emmanuel Vuillaume.



Joseph-Maurice Ravel (Ciboure, 7 de março de 1875 – Paris, 28 de dezembro de 1937) foi um compositor e pianista francês, conhecido sobretudo pela sutileza das suas melodias instrumentais e orquestrais, entre elas, o Bolero, que ele considerava bem trivial.
Filho de engenheiro mecânico, Maurice Ravel nasceu numa cidade próxima ao País Basco, mas bem cedo se mudou com a família para Paris.
Com professores particulares, estudou piano (a partir dos sete anos) e depois harmonia. Em 1889, ingressou no Conservatório de Paris, onde teve aulas de piano com Charles de Bériot e de composição com Gabriel Fauré.

Foi influenciado significativamente por Debussy, e também por compositores anteriores, como Mozart, Liszt e Strauss, mas logo encontrou seu próprio estilo, que ficou, porém, marcado pelo Impressionismo.

Ravel tentou ganhar o Prêmio de Roma quatro vezes, mas os arrojos de sua composição não foram reconhecidos pela academia.

Em 1901, compôs a "Pavana Para uma Infanta Defunta", uma de suas obras mais conhecidas. "Sherazade" é de 1903, e a "Rapsódia Espanhola", de 1907. No mesmo período, Ravel criou muitas outras obras, sobretudo para piano.

Em 1909, travou contato com Stravinsky, que estava em Paris apresentando seus balés, dirigidos por Serge Diaghilev. O encontro teria grande impacto na carreira de Ravel.

Dois anos depois, juntamente com outros músicos que freqüentavam o curso de Fauré, fundou a Sociedade Musical Independente, em oposição à Sociedade Nacional de Música. Sua primeira obra orquestral, o balé "Daphnis e Chloé", para ser encenado por Diaghilev, foi composta em 1912.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Ravel tentou alistar-se na aviação militar, mas foi rejeitado. No ano seguinte, conseguiu um posto de motorista do Exército.

Ainda durante a guerra, com o falecimento da mãe (1917), voltou para Paris.

Nos anos 1920, Ravel já era compositor reconhecido e realizou inúmeras turnês pela Europa. Em 1928, apresentou-se nos EUA, onde conheceu personalidades do cinema e da música, entre as quais o compositor Ira Gershwin. No mesmo ano, recebeu o título de doutor "honoris causa" pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

Também em 1928, compôs o famoso "Bolero", que de início era uma composição para balé. Em 1931, criou o "Concerto Para Mão Esquerda", destinado a Paul Wittgenstein, pianista que perdera a mão direita durante a guerra.

Em 1932, faleceu das conseqüências de um acidente de táxi e durante o período que precedeu a sua morte, havia perdido parte da sua capacidade de compor devido às lesões cerebrais causadas pelo acidente. A sua inteligência sempre se manteve intacta mas o seu corpo já não respondia adequadamente, tendo sofrido graves problemas motores.

Suas óperas L'heure espagnole ("The Spanish Hour") (opera, 1907–1909) e L'enfant et les sortilèges (1919-1925), são as únicas conhecidas. Na verdade ele é mundialmente conhecido pelo seu Bolero, ainda hoje a obra musical francesa mais tocada no mundo. A composição foi encomendada pela bailarina Ida Rubistein e estreou na Ópera de Paris em 1928.





Prélude à la Nuit - Rhapsodie Espagnole - Maurice Ravel



Arthur Honegger (Le Havre, 10 de março de 1892 – Paris, 27 de novembro de 1955) foi um compositor suíço, conhecido por compor vários oratórios e sua famosa Cantata de Natal. Foi membro do grupo de compositores considerado anti-romântico chamado Les Six (Os Seis).

Do grupo Les Six faziam parte Georges Auric (1899-1983), Louis Durey (1888-1979), Darius Milhaud (1892-1974), Francis Poulenc (1899-1963), Germaine Tailleferre (1892-1983) e Arthur Honegger (1892-1955). Este último, de ascendência suíça, passou por ser um dos mais importantes do grupo, apesar de, conforme reconhecido pelo próprio, não ter fortes laços musicais com os restantes membros, e da sua ligação aos movimentos de reação aos ideais impressionistas e wagnerianos, que estiveram na origem da criação do grupo, serem meramente superficiais. Honegger tinha origens germânicas, além de ter vivido e estudado algum tempo em Zurique, e quando chegou a Paris para estudar no Conservatório, em 1911, era um entusiasta da música de Richard Wagner.

Naquela altura Honegger vivia em Le Havre, que fica a perto de 200Km de Paris, e deslocava-se à capital de comboio. Daí talvez tenha nascido o seu fascínio por locomotivas, que serviu de inspiração para uma das suas mais conhecidas e bem sucedidas obras, Pacific 231 (2 pequenas rodas laterais à frente, 3 grandes rodas centrais e 1 roda atrás), composta em 1923 e estreada no dia 8 de Maio de 1924 pelo maestro Serge Koussevitzky (1874-1951).


Arthur Honegger:Pacific 231 , sob regência de Marc Andreae.



Darius Milhaud (Marselha, 4 de setembro de 1892 – Genebra, 22 de junho de 1974) foi um compositor e professor francês, um dos mais prolíficos do século XX, tendo sua obra muito conhecida por conciliar o uso da politonalidade (múltiplas tonalidades ao mesmo tempo) e do jazz.

Membro de uma família judaica, estudou no Conservatório de Paris, onde conheceu seus colegas de composição Arthur Honegger e Germaine Tailleferre. Teve aulas de harmonia e composição e veio trabalhor como voluntário no Brasil, durante o período em que o poeta Paul Claudel era embaixador no país. Diga-se de passagem que esta época marcou muito sua vida, refletindo-se em obras como a suíte de dança "Saudades do Brazil" ou a famosa peça "Scaramouche".
Em 1922, numa viagem aos Estados Unidos ouviu o jazz "autêntico" nas ruas do bairro de Harlem em Nova Iorque. Ficou tão influenciado que passou a compor com arranjos de jazz as suas composições "La Création du monde" ("A Criação do mundo"), que é um balé em seis cenas contínuas, com movimentos naquele estilo.
Mudou-se para os Estados Unidos em 1940, por motivos da guerra e durante a mesma lecionou no Mills College de Oakland, Califórnia.

Entre 1947 e 1971 alternou períodos de docência em Mills e no Conservatório de Paris até que, devido a sua saúde já debilitada que o mantinha preso a uma cadeira de rodas, acabou se aposentando.

Morreu em Genebra, Suíça, aos 81 anos de idade.
Assim como seus contemporâneos Paul Hindemith, Bohuslav Martinu e Heitor Villa-Lobos, compunha muito rapidamente e de forma natural. Suas obras mais conhecidas são os balés "Le Bœuf sur le toit" e "La Création du monde", a peça "Scaramouche" (em diferentes versões), e a suíte de dança "Saudades do Brazil".
Milhaud compôs muitas obras, sendo só de ópera chega ao número 443 obras. Também é importante ressaltar que Milhaud costumava fazer várias versões da mesma peça, como Scaramouche, que pode ser para saxofone e orquestra, saxofone e piano, dois pianos, clarinete e orquestra, .
Suas óperas mais conhecidas são: Les Malheurs d'Orphée (1926),Christophe Colomb (1928),Maximilien (1930),Médée, com texto de Madeleine Milhaud, sua prima e esposa (1938), Bolivar (1943),Le Pauvre Matelot( O Marinheiro Pobre), L'Enlèvement d'Europe(O Ra0pto da Europa), L'Abandon d'Ariane(O Abandono de Ariadne).object width="425" height="344">Les Choéphores

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Francis Jean Marcel Poulenc (Paris, 7 de janeiro de 1899 – 30 de janeiro de 1963) foi um compositor e pianista francês, membro do grupo Les Six, autor de obras que abarcam a maior parte dos gêneros musicais, incluindo canção, música de câmara, oratório, ópera, música para bailado e música orquestral.
Poulenc começou a compôr com 7 anos de idade e aos 15 anos estudou com Ricardo Vinhes, que o encorajou para compor, apresentando-o a Satie, Casella, Auric e outros. Em 1917 a sua "Rapsodie Nègre" deu-lhe uma importância notável em Paris. Mas os seus conhecimentos técnicos eram escassos, pois Poulenc nunca frequentou o Conservatório. Assim em 1920 decidiu estudar harmonia durante três anos com Charles Koechlin. mas nunca estudou Contraponto nem Orquestração. Os seus conhecimentos de forma eram intuitivos. Em 1920 um crítico musical, Henri Collete escolheu 6 destes "Nouveaux Jeunes" e chamou-lhes "Les Six"; Poulenc fazia parte deste grupo. Deram concertos juntos, sendo um dos seus artigos de fé que se inspiravam no «folclore parisiense», isto é, nos músicos de rua, nos teatros musicais, nas bandas de circo.
O ambiente parisiense da época é fielmente representado na versão de Poulenc de "Cocards" de Cocteau. Esta obra chamou a atenção de Stravinski que recomendou Poulenc a Sergei Diaguilev, sendo o resultado desta colaboração o ballet "Les Biches", no qual ele expressa a sofisticação frágil dos ano 20, uma compreeensão verdadeira do idioma do Jazz e dp seu lirismo romântico que cada vez mais vai influenciar a sua obra.
As suas obras mais conhecidas são talvez as canções para voz e piano, em especial as escritas a partir de 1935, quando começou a acompanhar o grande barítono francês Pierre Bernac.
As suas versões de poemas de Apollinaire e do seu amigo Paul Eluard são particularmente boas, cobrindo ums vasta gama de emoções.

Compôs 3 óperas, sendo a maior "Les Dialogues des Carmélites" (1953-56), baseada em acontecimentos da Revolução Francesa, e as suas obras religiosas têm um toque de êxtase como o que apenas se encontra nas obras de Haydn. Ainda compôs "Les Mamelles de Tirésias"( Os seios de Tirésia - (1947)), e "La voix Humaine"( A voz humana (1959)).
A morte acidental do seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud conjugada com uma peregrinação à Virgem Negra de Rocamadour, em 1935, levaram Poulenc a regressar ao catolicismo, resultando em composições em tom mais austero e sombrio.


"Les Dialogues des Carmélites"é uma ópera de 3 atos, sobre um libreto de Emmet Lavery, baseada na peça de Georges Bernanos.


Levic